a tradição das visitas técnicas

No inverno de julho de 1945, quando as moças e senhoras costumavam usar chapéus em roupas de passeio e os homens trajavam ternos à rua, a turma do Curso de Museus do Museu Histórico Nacional/RJ excursionava para a cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. O grupo de 19 pessoas veio de trem numa viagem que durou 16 horas. Durante a permanência de uma semana visitaram também as cidades de Mariana, Congonhas do Campo e o então arraial de Ouro Branco.

Passados 68 anos, o Curso de Museologia da UFOP mantém a tradição das visitas técnicas iniciada pelo Curso de Museus. Todo semestre o DEMUL se reúne para discutir e aprovar os roteiros de viagens das disciplinas que possuem visitas previstas em suas ementas. Em geral, os estudantes organizam a hospedagem, na busca de conforto, higiene, bom preço e localização. Os professores, claro, responsabilizam-se pela elaboração dos roteiros detalhados, agendamentos, relatórios posteriores, avaliações e ainda por todo o aspecto operacional de deslocamento.

Em meio à transitoriedade do mundo contemporâneo as visitas técnicas permanecem uma boa tradição que nos orgulhamos em manter devido à sua importância como recurso pedagógico.

Este blog cumpre, pois o objetivo final de avaliar os estudantes em suas visitas aos museus. Suas postagens são registros, narrativas e leituras da experiência vivida, um diário coletivo, dinâmico, crítico, quiçá, divertido.

Tenham todos uma boa leitura e uma boa viagem!

Prof.ª Ana Audebert


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

 Por
Laura Costa Pinheiro
Maria Angélica Mais
Isabela Montalto

“Um museu diferente”, com certeza essa expressão é uma das mais ouvidos quando se trata de definir o MUQUIFU : Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos. Padre Mauro, diretor do museu, já foi pároco da comunidade do Aglomerado Santa Lúcia e da capela na qual está localizado o museu; e nos conta sobre toda a trajetória do museu até o momento atual. Essa narrativa se funde e ramifica com a história do surgimento do aglomerado Santa Lúcia, anteriormente batizado pelos próprios moradores como ‘’ Vila Estrela’’; histórias de vida de diversas famílias; e, do surgimento da região periférica e modernização urbana que ocorreram em Belo Horizonte.

    Algumas da mais notáveis peculiaridades do MUQUIFU são referentes à sua sede. O museu se encontra dentro da área periférica de Belo Horizonte, entre moradias de luxo e o dito ‘’Morro do Papagaio’’, no aglomerado Santa Lúcia, uma área considerada com considerável índice de violência na cidade. Ainda podemos apontar o fato de que o acesso para entrada no museu é a partir da entrada da Igreja da comunidade. Essa mesma igreja apresenta uma configuração particular, à frente nos deparamos com uma árvore centenária,imponente e significativa, é mistura entre Ficus e Gameleira; As paredes da entrada e o muro são grafitados e a parte interna de toda a capela, exceto pelo altar, são pinturas que ilustram a história da comunidade e homenageiam personalidades que se envolveram diretamente com a história da igreja e da comunidade. Dentro da capela, existe uma cozinha, um quartinho, e a entrada para o espaço do MUQUIFU.


    As pinturas  que cobrem as paredes da capela são um registro  da história do Aglomerado Santa Lúcia, de pessoas que influenciaram, em diferentes momentos, na construção do espaço para o culto religioso, na conquista do território do morro, quando ainda era desocupado; nas atividades culturais e em busca da paz na comunidade. Cenas das 7 dores e 7 alegrias de Maria, tem sido pintadas ao longo dos últimos 3 anos, homenageando e registrando as dinâmicas desse espaço.
     Padre Mauro conta como surgiu a igreja, dos desafios enfrentados por 14 mulheres da comunidade que lutaram para ter seu espaço de devoção, suas histórias e como cada uma está representada e incorporada às cenas bíblicas. Histórias de dores e alegrias bem como a de Nossa Senhora. É fascinante observar as paredes onde estão retratadas como uma miscelânea, o bíblico, sagrado, e a história viva da comunidade.

Transitar pelo espaço religioso para se chegar até o museu em si, desperta a sensibilidade, para que se compreenda a proposta do próprio museu, para que se dê e receba sentido  durante a visitação. A intenção é exatamente de se contar a história do Muquifu a partir das pessoas e do espaço que o conceberam, desde o início. O museu conta com um acervo interessante, grande parte doados pelos próprios moradores da comunidade, alguns, como os objetos de cunho religioso e ritualístico. É necessário salientar que o aspecto expositivo se diferencia do “museu tradicional”, as paredes são de tijolos, sem reboco, a iluminação é simples, e tudo isso complementa a própria proposta do museu, o acervo e as histórias. Podemos citar como exemplo do tipo de abordagem do museu, que condiz com o contexto social e geográfico no qual o MUQUIFU se encontra a exposição que discute sobre a relação entre as empregadas domésticas, os patrões, e o fato de os quartos destinados às ‘’serviçais’’  serem o tipo atual de senzala. Na referida exposição, está disposto um pequeno quarto, representando o espaço destinado às empregadas domésticas nas casas, suas paredes estão repletas de relatos de mulheres e filhos dessas mulheres que viveram em quartinhos como aquele. Os visitantes e os moradores da comunidade se identificam, comovem e dialogam com uma temática totalmente pertinente à realidade da comunidade.

A partir da experiência de visitar o MUQUIFU, dialogando com o padre Mauro e o artista plástico Claiton -responsável pela pintura da capela, compreender e se encantar pelos museus comunitários torna-se uma tarefa fácil e gratificante. Afirmamos com segurança, pois, no ambiente do MUQUIFU se reconhece a participação e a identidade da comunidade em todos os momentos de constituição e manutenção desse espaço. Seja nos momentos e rostos pintados nas paredes, seja no acervo emprestado, nas oficinas, nos eventos promovidos pela instituição e principalmente no envolvimento político, social e afetivo que  aproxima e reforça a identidade da comunidade com o território e com o museu em si (estrutura e discurso). O MUQUIFU é mais que um museu comunitário e ou de território; antes e acima de tudo, ele se tornou um espaço de resistência e guarda de memória.
A dinâmica urbana que surgiu com o êxodo rural e a modernização da nova capital de Minas Gerais, há tanto tempo atrás, tem reflexos e persiste até hoje. A comunidade de Santa Lúcia, antiga Vila Estrela, sempre foi um espaço de resistência. Ali se afixou uma comunidade que ainda resiste e o MUQUIFU é um  exemplo desse movimento, de dificuldades com certeza, mas principalmente de conquistas. Por isso, atualmente, ele não somente resiste, como resgata e guarda sua memória.

A experiência do Museu de Quilombos e Favelas Urbanos, ilustra muito bem as dificuldades e o papel dos museus no mundo contemporâneo; considerando desafios enfrentados cotidianamente em tantas esferas - políticas, culturais, financeiras, históricas, geográficas e outras mais-  e considerando também a missão e os objetivos de um museu. No mundo contemporâneo, a Museologia se faz necessária principalmente no que tange as áreas da museologia social e comunitária; desde que se faça esse trabalho com seriedade e compromisso, uma vez que o seu impacto é forte e necessário.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

MUQUIFU, uma experiência simbiótica entre o museu e a comunidade.









Como um estudante de Museologia, já participei de diversas visitas técnicas, com museus de muitas caras e lugares, histórias de todos os tipos. Chamo aqui, a nossa atenção especial para o  , Museu dos Quilombos e Favelas Urbanas, e sua proposta para uma museologia de viés comunitário. A recepção por si só já esclarece a diferença. Somos recebidos por Pe. Mauro acompanhado por Clayton, um dos artistas envolvido na concepção artística do espaço. Embora os dois não sejam moradores da comunidade, ambos estão diretamente envolvidos.

Este contato tão próximo com importantes atores de todo o processo museológico que acontece no MUQUIFU foi um privilégio para a turma do curso de Museologia da UFOP. O calor que vem da proximidade com o coração do museu é ímpar, em comparação com as instituição de cunho mais tradicional. As diferenças vão ficando cada vez mais claras, somos acolhidos em uma igreja. Esta é museu ou não é? Um museu dentro de uma igreja ou uma igreja dentro de um museu? Aos poucos Pe. Mauro, com a ajuda de Clayton, vão nos falando sobre o templo, e como sua história, mas sobre tudo, a história da comunidade onde este se insere, estão representados ali em primeiro plano. 


Pintura da Igreja do MUQUIFU   Foto: José Hansen (2018)

Estão, nas paredes da igreja/museu a história das pessoas envolvidas com o bairro e o templo representadas por alegorias bíblicas, uma boa chave para a resposta da pergunta acima. A simbiose museu-igreja está ali, são indissociáveis, assim como o MUQUIFU e sua comunidade. A visão decolonial dos santos e anjos negros quebra com a hegemonia branca naturalizada pela igreja no Brasil e em boa parte do mundo. Imagino que deixe os mais conservadores chocados, o que na minha opinião é é interessante. 


Pintura da Igreja do MUQUIFU   Foto: José Hansen (2018)

Em uma cidade, que antes de virar Belo Horizonte, e capital de Minas Gerais, se chamava Curral Del-Rey, e tinha a maioria de sua população negra, e sofreu um processo de embranquecimento, ver jesus negro, pintado na parede da igreja é no mínimo um marco, uma declaração, estamos aqui, não vamos embora.


Após o primeiro momento de acolhimento e encerradas as explicações sobre a igreja, fazemos uma pausa para um maravilhoso almoço, comida gostosa, dessas feitas com amor. O momento traz um santo silêncio para a capela, mas devo sua é reza, é comida gostosa. Arroz, strogonoff de frango, uma farta salada e tabule compõem nosso prato, que enche a barriga dos esfomeados estudantes após a a viagem de Ouro Preto para BH. Felicidade no rosto e energia renovada, estamos prontos para conhecer o resto do museu. 

Prato de comida   Foto: José Hansen (2018)

Fazemos uma visita bem livre, de acordo com as curiosidades e interesses de cada um, ou cada grupo. Nossos dois novos amigos nos acompanham entre as salas do museu, sempre com boas histórias sobre os objetos, lugares e sobre a vida destes e das pessoas que ali, de certa foram, habitam. Em um museu comunitário os valores são outros, e estão contidas na beleza das pequenas historias, do cotidiano, que tem a capacidade de nos emocionar. Deixo aqui um pequeno recorte de imagens feitas no MUQUIFU para instigar sua visita                                              Turma de Museologia do sétimo período da UFOP  Foto: José Hansen (2018)


Parte do acervo do MUQUIFU   Foto: José Hansen (2018)

Parte do acervo do MUQUIFU   Foto: José Hansen (2018) 


Por fim, deixo aqui os links para facilitar seu comunicação via internet para agendar sua visita ao MUQUIFO em BH, um visita que certamente vai mudar sua concepção de museus, quilombos e favelas urbanas. 









MUQUIFU, lugar de histórias e pertencimento...





Andreia Miranda
Nayara Fernandes
Sarha Hottes

“Temos como vocação garantir o reconhecimento e a preservação dos patrimônios socioculturais das favelas, os verdadeiros quilombos urbanos do Brasil. Lugares não apenas de sofrimento e de privações, mas de memória coletiva digna de ser cuidada.” 

O Muquifu – Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos surgiu em 2012, em Belo Horizonte, no Aglomerado Santa Lúcia. O Museu surgiu a partir do risco de expulsão dos favelados dos centros urbanos, com o intuito de ser resistência e meio transformador, além de querer reconhecer e preservar o patrimônio, das histórias, das memórias e dos bens culturais dos moradores dos Quilombos Urbanos e Favelas de Belo Horizonte. Em 2014, o Museu foi instalado na capela da Vila Estrela.
O museu tido como de território ressalta a importância e valor que as memórias individuais e coletivas têm, é lugar de memória e representatividade, que reúne como acervo, fotografias, objetos, imagens de festas, danças, tradições e histórias que representam a vida cotidiana dos moradores, sendo que as pessoas da comunidade são agentes contadores de histórias, uma vez que o acervo do museu, em sua maioria, foi doado por eles próprios, sendo assim, são eles que escolhem, a forma como serão representados, os objetos e a forma que serão expostos para contar sua história.
O museu, por meio de seus objetos, sujeitos, histórias e memórias, implica no visitante uma ressonância muito forte. Segundo o autor José Reginaldo Gonçalves, o objeto é dotado de ressonância pois possui valor simbólico e afetivo, sendo assim capaz de evocar nas pessoas sentidos e significados. E, é por meio dessa ressonância, que o visitante do museu passa por diversas experiências e sentimentos, experiências essas pelas quais passamos ao visitar o museu, em especial quando tivemos contato com a instalação denominada “Domésticas, da escravidão à extinção” que reproduz um quartinho de empregada, com móveis que transparecem extrema simplicidade e que representam a realidade de muitas mulheres que para sustentar suas famílias precisam deixar seus lares.



Foto 1: Quartinho de Empregada. Fonte: Nayara Fernandes (2018)

O quartinho de empregada desperta uma série de sentimentos e sensações, principalmente nas pessoas que possuem um vínculo afetivo com essa história, com essa realidade de lutas e anseios, seja pelo fato de se reconhecer no espaço ou por ele nos evocar a lembrança de alguém.

Foto 2: Quartinho de Empregada. Fonte: Nayara Fernandes (2018)

Um dos elementos mais relevantes encontrados na instalação são os depoimentos deixados nas paredes do quarto, que trazem memórias, emociona quem os lê, pois são relatos a uma realidade que na maioria das vezes é solitária e árdua, onde as pessoas que exercem essa profissão, geralmente, abdicam do convívio com a própria família, da sua cidade, para ganhar o sustento e ajudar os familiares.
O vínculo estabelecido com a exposição foi tão forte, que uma aluna do curso se emocionou profundamente ao reconhecer a história de sua mãe naquele lugar. Já idosa, a mãe da aluna que durante toda vida trabalhou como empregada doméstica para sustento da família e ainda exerce a profissão para ajudar a mantê-la em outra cidade para que ela possa fazer faculdade em uma instituição federal, e dessa forma, realizar o sonho de ver a filha se formando.

“A vida inteira minha mãe trabalhou como doméstica e hoje em dia estou na universidade graças aos sacrifícios que ela e meu pai fizeram”

Visitar o Muquifu é uma experiência emocionante, pois os relatos, as histórias, os objetos e a museografia característica do museu constroem um lugar de pertencimento e reconhecimento, através de uma narrativa que retrata a vida, as alegrias e as dificuldades enfrentadas pela comunidade, de forma a imortalizar seus moradores e valorizar a riqueza cultural pertencente ao local.



Referência
GONÇALVES, José Reginaldo; BITAR, Nina Pinheiro & GUIMARÃES, Roberta Sampaio. 2013. A alma das coisas: patrimônios, materialidade e ressonância. Rio de Janeiro: Mauad: FAPERJ. 296 pp.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Recife: uma viagem subjetiva - por Cristiana Barroso




Evocação Do Recife

Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!

Manuel Banderia
(o poema não está na íntegra pois é muito longo. Caso alguém se interesse segue link http://opovonalutafazhistoria.blogspot.com.br/2011/06/evocacao-do-recife-manuel-bandeira.html



Recife é um município e capital do estado de Pernambuco, no Brasil. Pertence à Mesorregião Metropolitana do Recife e à Microrregião do Recife. Muitas são as referências dadas à Recife, como Veneza Brasileira, Florêncça dos Trópicos, Cidade Mauricia e, a mais interessante, Capital Brasileira dos Naufrágios e Cidade Maguetown. Percebe-se por aí a multiplicidade de visitantes da querida Recife.
Há muitos lugares dignos de visita na cidade de Recife, seria necessário mais do que um final de semana para conseguir, pelo menos, os principais pontos turísticos conhecer. Portanto a visita restringiu-se à uns poucos museus: Museu do Homem, Instituto Ricardo Brennand, Oficina Francisco Brennand, Museu do Homem do Nordeste e por último o Museu do Mamulengo em Olinda, além de passeios pela cidade, praia de Boa Viagem, Universidade Federal de Pernambuco - UFPE e, ainda um passeio de bicicleta, pela ciclovia, até o Recife antigo (marco zero) com direito a travessia de barco para a praia de Boa Viagem.


foto: Cristiana Barroso
Instuto Ricardo Brennand – Museu Castelo São João. Um lugar muito interessante de propriedade do colecionador Ricardo Brennand. Sabe-se que sua coleção se iniciou quando ainda menino com canivetes e outras armas brancas de todo tipos. 

Após longos anos fundou o instituto, reunindo todas essas peças e, muitas outras acumuladas ao longo dos anos, formando uma instituição sem fins lucrativos.  Ricardo Brennand possui obras de toda espécie, um verdadeiro gabinete de curiosidades moderno. O instituto possui uma área de 77.000m². As obras estão espalhadas, tanto à céu aberto, quanto no palácio pelos corredores, salas e grandes salões. O museu de arte Castelo São João – é uma réplica de castelo medieval com paredes grandes espessas e maciças, além de outras características inspiradas no estilo Tudor1. O castelo abriga peças provenientes da Europa, Ásia, América e África (séculos XV e XXI).  


foto: Cristiana Barroso
A coleção vai de Pintura, brasileira e estrangeira, Armaria, Tapeçaria, Artes Decorativas, Escultura e Mobiliário. Destaque para a maior coleção privada do pintor holandês Frans Post. Interessante citar que quase nenhuma obra possui etiqueta sobre o autor ou sobre sua procedência, com exceção das obras de Frans Post. O Instituto também não tem trabalhos de mediação ou ação educativa, ou seja, um local apenas para deleite e curiosidade. O museu de Armas Castelo São João abriga a maior coleção de armas brancas de estilo medieval do mundo. Durante o passeio no castelo, fica a impressão de estarmos dentro de um filme medieval com tantas armaduras, adagas, espadas e todo tipo de arma branca imaginável.  
Além, das obras de arte o instituto abriga também uma biblioteca com vasto acervo em História do Brasil-holandês, opúsculos (pequena obra de ciência, literatura e arte), periódicos, partituras, discos, forografias, albúns iconográficos e obras raras. São obras dos século XVI ao XX. 
O instituto Ricardo Brennand é com certeza um local para apreciação!!

foto: Cristiana Barroso
Oficina Francisco Brennand.
Trata-se de um museu aberto muito parecido com o Centro de Arte Contemporânea Inhotim. O local anteriormente pertenceu ao pai de Francisco Antiga fábrica de tijolos e telhas. As obras estão espalhadas pelo conjunto arquitetônico monumental da antiga olaria, que segundo ele está em constante processo de mutação, sua obra se associa à arquitetura para “...dar forma a um universo abissal, dionisíaco, subterrâneo, obscuro, sexual e religioso” (BRENNAND). O artista possui um trabalho original e “...contínuo de criação que confere à Oficina um caráter inusitado, identificando-a como uma instituição intrinsecamente viva e com uma dinâmica que torna imprevisíveis os rumos da arquitetura e da obra” (BRENNAND). A oficina surgiu em 1971 nas ruínas de uma olaria do século XX. Nenhuma das obras possui etiquetas explicativas, o local também não conta com mediadores, senão, para deficientes visuais. Durante a visita foi possível observar uma mediação neste sentido. Praticamente todas as obras podem ser tocadas, raras exceções, das obras que não podem ser tocadas ou fotografadas.
foto: Cristiana Barroso
Francisco Brennand pertence à mesma família que o colecionador Ricardo Brennad. Este ao contrário de seu parente "coleciona" apenas obras de sua autoria. Além das esculturas, o artista também trabalha com pinturas, dentro deste mesmo local há um salão que abriga a coleção de pinturas de várias técninas, infelizmente não é permito fotografar as pinturas. Segundo funcionários da Oficina o Sr. Francisco tem grande apego à suas obras e não faz nenhuma questão para que sejam vendidas. Na loja as compras são feitas apenas em dinheiro não facilitando a venda das mesmas. Percebe-se que a Oficina não conta com apoio financeiro de nenhum patrocinador. Durante a visita tive o privilégio de conhecer o Sr. Francisco Brennand pessoalmente. 
 



foto: Cristiana Barroso
Museu do Homem do Nordeste: Museu constituído de artefatos da herança cultural da formação do povo nordestino. Segundo informações, trata-se do mais importante museu antropológico do Brasil.Foi fundado em 1979, pelo sociólogo, Gilberto Freyre e, está ligado à Diretoria de Documentação da Fundaj. Embora seja dito que o museu possui cerca de 20 mil peças, fica a impressão de faltar algo para se ver.  Artefatos indígenas, por exemplo, há pouquíssimos. 


foto: Cristiana Barroso

O mesmo acontece com a vitrine dos orixás. Somente na parte religiosa há um acervo mais consistente. O museu conta com ação educativa e toda a documentação do acervo está em perfeita ordem.  




Museu do Mamulengo – Espaço Tiridá:  
foto: Cristiana Barroso
O museu reúne cerca de 1.200 bonecos antigos e contemporâneos. Através dos bonecos é possível perceber o universo e linguagem lúdica própria da região. Os bonecos retratam a estrutura histórica, social e política da região através de personagens exóticos, que foram eternizados pelas mãos habilidosas dos “mestres mamulengueiros”. Trata-se do primeiro museu de bonecos populares do Brasil e da América Latina.
A maioria dos bonecos eram vendidos como peças de decoração, pois os mestres nem sempre eram reconhecidos ficando assim os bonecos nas mãos de parentes que acabavam por vende-los. A visita ao Museu do Mamulengo é muito rica, o acervo é muito expressivo e consistente. Há bonecos de toda a espécie desde Lampião à padres.  


foto: Cristiana Barroso
A visita é feita com mediação onde cada parte do acervo é explicada de acordo com sua história. Segundo, informações obtidas no próprio museu, a documentação do acervo está regularizada, embora não possua um museólogo atuando no local, toda a documentação foi feita de acordo com os parâmetros da documentação: inventário, catalogação, marcação, etc. 
O Museu do Mamulengo, com certeza, deve ser visitado por todos que passam por Olinda.





 
Esculturas 
de Francisco Brennand
Atração Turística Local 
Aos domingos a partir das 7h da manhã saindo de pontos específicos de Recife a prefeitura disponibiliza ciclo faixa móvel de turismo e lazer, que liga a zona Norte e Sul da cidade, com aproximadamente 20 km para passeios. 
O trajeto conta com várias atrações dentre elas Museu do Estado, Câmara Municipal de Recife, Faculdade de Direito, Teatro Sta. Isabel, Palácio do Campo da Princesa, Palácio da Justiça (ambos locados em edifícios históricos maravilhosos) todos fechados para visitação aos sábados/domingos.





Feira Japonesa de artesanato e culinária
No Recife Antigo 5percebe-se um descaso coma as edificações históricas poucos estão conservados e ocupados.  
A prefeitura de Recife, atualmente, investe em eventos para que o local seja novamente ocupado. Atrações como, : música, dança, culinária, artesanato e apresentação de cosplay, tem sido uma das alternativas para uma reapropriação do Recife antigo. Ao lado imagem da Feira japonesa.




Exposição: Cidade em Tiras.
foto: Cristiana Barroso
Além da feira é possível visitar exposições no prédio da Caixa Econômica Federal, como por exemplo, exposição - CIDADE EM TIRAS: A Metrópole Brasileira Através das Histórias em Quadrinhos do cartunista Laerte, que como o próprio nome diz, retrata a cidade de São Paulo através dos personagens em quadrinhos: temas como o sexo, as drogas, os crise dos relacionamentos, as dificuldades no mundo do trabalho, a criminalidade urbana, a volta ao regime democrático, a ecologia entre outros temas fizeram história na década de 80. A cidade de São Paulo com pano de fundo é outro objeto explorado pelos cartunistas. 

Artesanato local.
foto: Cristiana Barroso


Em frente ao prédio da caixa Econômica pode-se visitar o centro de Artesanato de Pernambuco, com objetos feitos por artesão locais. O centro de Artesanato de Pernambuco fica na Praça Rio Branco no Marco Zero6. Ao lado temos o Rio Capibaribe.





Antes de encerrar minha trajetória por Recife, deixo aqui algumas imagens das ruas de Olinda, onde a arte está presente nos muros das ruelas e escadarias! Olinda faz parte da Região Metropolitana de Recife.   

foto: Cristiana Barroso

foto: Cristiana Barroso


1 O estilo Tudor, em arquitetura, é o último desenvolvimento da arquitetura medieval durante o período Tudor (1485–1603) e até mesmo posteriormente, por patronos conservadores. Ele seguiu o estilo perpendicular e, embora seja substituído pela arquitetura elisabetana na construção doméstica, o estilo Tudor ainda se manteve no gosto inglês, inclusive nas universidades, como as de Oxford e Cambridge, onde continuam a ser realizadas obras no estilo Tudor que remontam os primeiros tempos do neogótico. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Estilo_Tudor. Acessado em 31/0114.




2 O rio Capibaribe é um curso d'água do estado de Pernambuco, no Brasil. Seu nome é originário da língua tupi e significa "no rio das capivaras", através da junção dos termos kapibara (capivara), y (água, rio) e pe (em) .Nasce na Serra de Jacarará , no município de Poção. Antes de desaguar no Oceano Atlântico, passa pelo centro da cidade do Recife.Possui 240 quilômetros de extensão e sua bacia, aproximadamente 5 880 quilômetros quadrados. Possui cerca de 74 afluentes e banha 42 municípios pernambucanos, entre eles Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, Salgadinho, Limoeiro, Paudalho, São Lourenço da Mata e o Recife. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Capibaribe. Acessado em 29/01/14.


3 O Poço da Panela é um bairro de classe média de Recife que se localiza na zona norte da cidade.2 Possui uma área territorial de 87 hectares, uma população residente de 4.006 pessoas e uma taxa geométrica de crescimento anual de 0,45.3 O Poço da Panela (Poço) faz fronteira com os bairros de Casa Forte, Casa Amarela, Santana, Iputinga, Cordeiro e Monteiro, além de ser banhado pelo Rio Capibaribe. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Po%C3%A7o_da_Panela. Acessado em 31/01/14.


4 Casa Amarela é um bairro da cidade do Recife. Localiza-se na região norte. É um dos mais populosos da cidade, famoso pela seu mercado popular, feira-livre, forte comércio e intenso tráfego de pessoas diariamente. É o maior colégio eleitoral da capital pernambucana. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Casa_Amarela_%28Recife%29. Acessado em 31/01/14.


5 Recife é um bairro da cidade do Recife (a capital do estado de Pernambuco), correspondente ao centro histórico conhecido como o Recife Antigo.Em seu ponto mais oriental, no porto, situa-se a Praça Rio Branco – o Marco Zero1 , margeada pelo Oceano Atlântico.



6 Marco Zero é o local em que Recife nasceu, serve como ponto principal das estradas de Pernambuco.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Esse vídeo fala um pouco sobre como foi a visita técnica ao Rio de Janeiro pela disciplina Museus no Mundo Contemporâneo

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Princesa das Bolinhas

"A região do lobo pré-frontal do cérebro (atrás da testa) é responsável por regular a aceitação das regras sociais e a avaliação dos perigos. É ela que alerta para infrações, que impede que nos envolvamos em situação de risco elevado, que faz com que respeitemos as normas legais." ou seja a alteração dessa área do cérebro podem levar a decisões de vida mais audaciosas, assim como a comportamentos autodestrutivos, a determinadas patologias (como psicopatia, esquizofrenia e transtorno obsessivo compulsivo) e também a um aumento da criatividade. Ou a várias dessas coisas ao mesmo tempo. 
A artista Japonesa Yayoi Kusama sofre de transtorno compulsivo obsessivo e alucinações desde a infância e desde cedo seus transtornos mentais se traduziam em arte e em uma visão bem peculiar das coisas. Hoje com 84 anos, Kusama vive em uma instituição psiquiatra em Tokyo a mais de 30 anos, Kusama é considerada um dos nomes mais renomados entre os artistas contemporâneos, A artista ganhou sua primeira exposição individual em no Brasil de doze de dezembro de 2013 a 20 de janeiro de 2014, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na retrospectiva “Obsessão infinita”.


A artista, obcecada por bolinhas transpõe em suas obras a sua "loucura", no entanto podemos dizer que ela aceita aquilo que todos tentamos esconder, ela projeta em suas obras seus transtornos e transformou em arte o que geralmente julgamos ser "doença". A exposição traduz o mundo da maneira como Kusama o enxerga. Seria , então, essa a forma correta de vê-lo ou é simplesmente uma maneira peculiar de fugir a realidade? Kusama transformou sua doença em arte e dessa forma conseguiu fugir de um possível suicídio. isso porque a artista nasceu em uma família tradicional japonesa, na época das guerras quando a repressão era ilimitada. em 1957 Kusama mudou-se para os Estados Unidos, onde conheceu diversos artistas e continuou a desenvolver sua arte que embora seja um trabalho de uma vida toda, apenas recentemente vem ganhando espaço no mundo. 
E você, qual a sua obsessão?
visite também o site do CCBB:

Mídias de Geolocalização como formadora de Opinião - Experiências de um visitante virtual e suas escolhas de espaços a serem visitados através do Foursquare.

Por: André L.S.Paulo 
Graduando em Museologia 
alspmg@hotmail.com

Como aluno matriculado na disciplina MUL-106 Museus no Mundo Contemporâneo do Curso de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto, fui incumbido de realizar análises sobre alguns museus da cidade do Rio de Janeiro, contudo, estas foram realizadas através do mundo virtual, pela impossibilidade deste que lhes fala estar em loco realizando a atividade.
Fonte: Google Imagens

Pois bem, inicialmente a minha intenção era analisar os sites institucionais dos espaços e através destes, criar um discurso sobre a atuação dos Museus e de que forma este meio de comunicação utilizado por eles poderia influenciar na opinião do público visitante.  Entretanto observei, ao longo das análises que apenas isso não seria suficiente para a formação de uma avaliação completa, pois além dos sites apresentarem apenas um discurso montado e totalmente institucionalizado, quer dizer, apenas a visão da instituição sobre si própria e aquilo que ela quer passar para o publico, não conseguia extrair dali a opinião popular, uma vez que estes suportes não permitem isso. Não existem nos sites campos onde os visitantes podem deixar seus comentário elogios e sugestão. Percebi então com a utilização da plataforma Androide, especificamente o aplicativo Foursquare que a minha interação com o público visitante seria bem mais próxima possibilitando assim um maior entendimento de que forma estes museus estão sendo vistos pelas pessoas que já passaram por eles, e com base nisso analisar de que forma como estas opiniões poderiam influenciar em minhas escolhas.

O que é este tal de Foursquare e como ele funciona? E de que forma ele pode influenciar ou auxiliar você na escolha dos espaços a serem visitados fisicamente. Você deve estar se perguntando. E a resposta é a seguinte, a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Foursquare) define o Foursquare como “uma rede social e de microblogging que permite ao utilizador indicar onde se encontra, e procurar por contatos seus que estejam próximo desse local. O aspecto lúdico vem do fato de ser possível acumular distintivos relativos a lugares específicos, um pouco como os autocolantes dos anos 70. A aplicação funciona em iOS, Android, Windows Phone, Blackberry e Symbian. Os mapas utilizados pelo Foursquare são provenientes do OpenStreetMap .”


O site Tecmundo - Descubra e aprenda tudo sobre tecnologia (http://www.tecmundo.com.br/gps/4092-o-que-e-a-rede-social-foursquare-e-quais-as-vantagens-dela-.htm), explica o funcionamento do Foursquare da seguinte maneira “Para usar o Foursquare você precisa ter uma conta no site, um celular e gostar de explorar o que está ao seu redor. A primeira coisa, portanto, é baixar o aplicativo em seu aparelho, disponível para Android, iPhone, Palm e Blackberry. Se você não tem um smartphone e mora nos Estados Unidos, pode usar mensagens de texto também. Assim que você estiver em absolutamente qualquer local (seja parque, museu ou supermercado, por exemplo) basta fazer o chamado “check-in”. Ao fazer isso, sua posição vai para a rede social do serviço, Twitter e Facebook (se você os adicionou à sua conta) e todos podem saber exatamente o local em que você está, com indicação no mapa junto ao endereço e opiniões a respeito. Se o local não existir ainda no Foursquare, você pode adicioná-lo.
Da mesma forma que todos podem ver onde você está, é possível acompanhar o itinerário de seus amigos e ver por onde eles andam. Cada um que usa o serviço é capaz de adicionar seus locais preferidos em um “Top 12”.
Fonte : Foursquare 
A minha análise procedeu da seguinte forma, foram indicados pela Profa. MSc. Ana Cristina Audebert sete museus. São eles: Portal Arqueológico dos pretos novos, Museus Nacional de Belas Artes, Espaço cultural da Marinha, Centro cultural Banco do Brasil, Museu de Arte do Rio, Museu da Maré e Museu da República. Pesquisei quais destes tinham uma localização já criada no Foursquare e a partir disso selecionei os três mais bem pontuados no aplicativo para análise. As instituições selecionadas foram o Museu Nacional de Belas Artes, Centro Cultural Banco do Brasil e Museu da República. Feito isso, li algumas dicas positivas e negativas dos locais, além de fotos, vídeos e etc. que pudessem me auxiliar na escolha. Segue uma tabela comparativa e ilustrativa sobre as três instituições. 

Nome da Instituição
Numero de Chek-ins
Nota
Comentários Positivos
Comentários Negativos
Centro Cultural Banco do Brasil
25.613
9,7
“Centro Cultural Banco do Brasil: viagem no tempo no centro do Rio. Mesmo sem nenhuma exposição acontecendo, vale entrar no prédio pra sentir o cheiro de café se espalhando no foyer de mármore cremoso.”         Por: (Fabiana M.- https://pt.foursquare.com/fabianamotroni )
“Sinalização ruim, informações também não são muito bem prestadas mas as exposições sãode ótimo gosto e o acervo da casa também compensa !” Por (Monalisa M. - https://pt.foursquare.com/user/12484409)
Museu da República
2.740
9,2
“O acervo permanente do Museu é muito interessante. Mas mais ainda é a exposição "A Res publica brasileira", sobre a república no Brasil. Exposição completa e perfeitamente organizada.” Por: (Gabriel J. - https://pt.foursquare.com/gabrieljusto )

“Nao consegui entrar porque esta tendo filmagens. Um absurdo! Filmem durante a semana” Por: (Solange P. - https://pt.foursquare.com/solangeplacona)
Museu Nacional de Belas
3.347
9.0
“O museu é lindíssimo, as exposições maravilhosas e os seguranças são super educados e gentis. Pode também fotografar, o que é bem legal” Por : (Ana Carolina C. - https://pt.foursquare.com/user/69992923 )
O descaso para com as obras e a estrutura do museu é revoltante. E o ar condicionado não funciona. Retrato da cultura carioca e brasileira. Muito triste. Por: (Natalia G. https://pt.foursquare.com/user/20764572)


Fonte: Foursquare 
Com base neste comparativo e demais informações, encontradas nas páginas oficiais do Foursquare dos três espaços selecionados, para uma visita física eu escolheria o Museu da República, pois este, segundo comentários e fotos, é portador de uma incrível beleza, natural e patrimonial, além de sua exposição me despertar um interesse maior.
Concluo com todo este processo, que cada vez mais, as redes sociais são grandes formadoras de opiniões, e que as instituições devem se adaptar a estas novas ferramentas para o seu desenvolvimento e maior contato com o publico. Percebe-se que cada vez mais as pessoas procuram informações das instituições antes de visita-las e com isso é cada dia mais importante que estas contem com sites atualizados e com informações claras.  Neste cenário as mídias sociais devem ser encaradas pelos museus como uma ponte que facilite seu relacionamento com seus visitantes, estreitando as relações ente ambos, afim de investigar como estas relações são vistas popularmente. Talvez esta seja uma nova forma de pesquisa de publico, assim com grandes organizações já utilização para montar as suas estratégias de marketing.