No dia 05 de dezembro de 2025, juntamente com a turma de Museologia da UFOP, estive em visita técnica ao Museu Imperial, na cidade de Petrópolis. Na ocasião, tive também a oportunidade de conhecer suas reservas técnicas e bibliotecas.
Entre mares de armários, mapotecas e gavetas, participamos de uma rica conversa sobre conservação, acondicionamento e documentação. Dentro desse diálogo, algo dito chamou especialmente minha atenção. Ainda sob a sombra do recente roubo ocorrido no Museu do Louvre, as museólogas do Museu Imperial nos relataram os reflexos desse acontecimento na instituição. Muitos jornalistas procuraram o museu em busca de informações sobre a dinâmica de segurança do local, considerando que a instituição abriga as joias do extinto Império do Brasil. Evidentemente, elas não puderam detalhar o esquema de segurança; contudo, por coincidência, a joia mais emblemática em exposição, a coroa imperial, havia sido retirada por um curto período para trabalhos de manutenção, o que acabou gerando questionamentos sobre a segurança do museu.
Ainda na reserva técnica, pude observar as diferentes formas de guarda do acervo, e dois aspectos chamaram minha atenção. O primeiro é que o museu não trabalha com aquilo que, em teoria, consideraríamos ideal para a conservação, mas sim com os recursos de que dispõe. Essa realidade é comum a muitas instituições museais no país, embora, cause certo estranhamento perceber que ela também se impõe a museus de grande porte. Localizado em uma cidade serrana, o Museu Imperial não possui sistema de climatização em suas reservas técnicas, algo perceptível pela diferença de temperatura entre os ambientes. Diante disso, é utilizada a chamada ventilação mecânica, que, para o público leigo, pode ser traduzida naquela frase clássica que provavelmente todos já ouvimos: “abre essa janela para deixar o ar correr”. Outro ponto que chamou minha atenção é que, a instituição serve de local de guarda para objetos que ainda pertecem aos decendentes do império, são alguns objetos mantindos separadamente pois apesar de estarem no espaço do museu, não pertencem a ele.
Em termos técnicos, a ausência de climatização representa, de fato, um problema, especialmente para acervos mais sensíveis. No entanto, curiosamente, os próprios acervos possuem certa capacidade de adaptação ao clima ao longo do tempo. Isso não significa que sua vida útil seja preservada da mesma forma que seria com o uso de ar-condicionado ou desumidificadores, mas evidencia a necessidade de pensar a conservação a partir da realidade concreta das instituições.
Outro ponto que me causou estranhamento inicial foi a utilização de armários de madeira nas reservas técnicas. Esses mobiliários são, em geral, desaconselhados, pois a madeira é propensa à proliferação de xilófagos e pode representar riscos ao acervo. Entretanto, quando bem conservados e sem contato direto com os objetos, especialmente os mais sensíveis, podem se tornar uma alternativa viável diante da escassez de recursos e de espaço. Foi exatamente esse o caminho adotado pelo Museu Imperial.
Já no espaço expositivo, o que mais me chamou atenção foi a proibição de fotografias. A equipe explicou que a medida visa evitar o congestionamento de público nas salas expositivas. Contudo, particularmente, fiquei refletindo que essa decisão também pode estar relacionada à segurança do acervo e até mesmo ao estímulo para que o público retorne ao museu, já que muitos outros museus com grande fluxo de visitantes permitem registros fotográficos.
Para além das análises técnicas, é impossível não destacar a beleza do local e o excelente estado de conservação tanto do edifício quanto do acervo. Trata-se de um espaço que, sem dúvida, merece ser revisitado.
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