Durante a visita técnica ao Museu Imperial, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, pudemos observar a gloriosidade da vida da família imperial: os mobiliários incrivelmente trabalhados, o ouro, a prataria, os lustres exuberantes e as vestimentas detalhadas. Mas aí surge o questionamento: seria essa uma glorificação exagerada da vida dos colonizadores europeus ou apenas a preservação da memória?
Particularmente, esse foi um questionamento que me acompanhou durante toda a visita. Fiquei dividida entre admirar a beleza do local e criticar a “disneyficação” — termo popularizado por Alan Bryman — criada em espaços desse tipo. Uma das funcionárias do local relatou que, quando a coroa de D. Pedro foi retirada por alguns dias para manutenção, muitos visitantes reclamaram, afirmando que haviam ido ao museu “apenas para ver a coroa”. Seria essa uma fetichização construída em torno de artefatos coloniais ou apenas a curiosidade de pessoas que não estão acostumadas a ver objetos desse tipo?
Como estudante de museologia, em muitas visitas técnicas observamos isso nos museus dessa categoria. É como se eles fossem movidos pela idealização criada em volta dos europeus dos séculos XVIII e XIX. Como se de alguma forma eles estivessem acima de nós, e suas vidas tidas como ideais, ou metas a serem atingidas. Será isso fruto do capitalismo e a luta pelo dinheiro?
Muito interessante sua reflexão! Eu também fiquei em duvida, se eu admirava os acervos ou criticava.
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