a tradição das visitas técnicas

No inverno de julho de 1945, quando as moças e senhoras costumavam usar chapéus em roupas de passeio e os homens trajavam ternos à rua, a turma do Curso de Museus do Museu Histórico Nacional/RJ excursionava para a cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. O grupo de 19 pessoas veio de trem numa viagem que durou 16 horas. Durante a permanência de uma semana visitaram também as cidades de Mariana, Congonhas do Campo e o então arraial de Ouro Branco.

Passados 68 anos, o Curso de Museologia da UFOP mantém a tradição das visitas técnicas iniciada pelo Curso de Museus. Todo semestre o DEMUL se reúne para discutir e aprovar os roteiros de viagens das disciplinas que possuem visitas previstas em suas ementas. Em geral, os estudantes organizam a hospedagem, na busca de conforto, higiene, bom preço e localização. Os professores, claro, responsabilizam-se pela elaboração dos roteiros detalhados, agendamentos, relatórios posteriores, avaliações e ainda por todo o aspecto operacional de deslocamento.

Em meio à transitoriedade do mundo contemporâneo as visitas técnicas permanecem uma boa tradição que nos orgulhamos em manter devido à sua importância como recurso pedagógico.

Este blog cumpre, pois o objetivo final de avaliar os estudantes em suas visitas aos museus. Suas postagens são registros, narrativas e leituras da experiência vivida, um diário coletivo, dinâmico, crítico, quiçá, divertido.

Tenham todos uma boa leitura e uma boa viagem!

Prof.ª Ana Audebert


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Visita Técnica ao Museu Imperial de Petrópolis. Os registros permanecessem em minha memória

      A visita técnica começou na sala de conservação dos acervos. Lá, a turma foi recebida por duas profissionais museólogas, que compartilharam um pouco de suas histórias ao longo da graduação e da formação profissional. Em meio ao discurso sobre os exercícios da profissão na prática, ouvimos relatos sobre as dificuldades e os desafios enfrentados na conservação dos acervos no museu.

     No entanto, o que mais me chamou a atenção foi o fato  de serem duas mulheres museólogas ocupando, de fato, o cargo de museólogo. É até engraçado dizer que isso me marcou mais do que as vestimentas de Dom Pedro II quando criança. Visto que o cenário da profissão de museólogo no Brasil não é favorável, pois infelizmente há muita desvalorização na área e, muitas vezes, as instituições museológicas têm seus cargos ocupados por profissionais de outras áreas.

     Essa realidade me fez refletir sobre a situação do nosso futuro enquanto museólogos em formação, mostrando que ainda há um caminho árduo a ser percorrido. Por outro lado, a visita ao espaço expositivo, realizada com pantufas nos pés, foi uma experiência muito satisfatória. Conhecer aquele espaço tão bonito e prestigiar a Coroa de Dom Pedro II, é impressionante. Gostaria de ter registrado alguns objetos ao longo da visita, porém o museu proíbe fotografias.  

    Apesar disso, essa proibição não foi algo negativo, pois me fez mergulhar ainda mais na história do museu. Mesmo sabendo que a intenção da restrição é garantir a segurança do acervo, minha experiência tornou-se mais imersiva por não utilizar o celular durante a visita, fazendo com que os registros permanecessem em minha memória.




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